domingo, fevereiro 25, 2007

Afrodite

José Agostinho de Macedo - A Besta Esfolada
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A Besta Esfolada é um Blog dedicado ao Padre José Agostinho de Macedo. Foi criado no final de 2006 e merece umas visitas atentas. Nas Edições Afrodite, o Padre foi um dos escolhidos por Natália Correia para a Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica:
O Padre José Agostinho de Macedo nasceu em Beja (1761) e morreu em Lisboa (1831). Professou na Ordem de Santo Agostinho, mas o seu carácter indisciplinado e pouco escrupuloso determinou a sua expulsão, conseguindo passar a presbítero secular. Convertido a feroz paladino do Miguelismo, nele empenhou o seu iracundo temperamento de polemista, encarniçando-se contra os pedreiros livres com implacável sectarismo. Fez parte da Nova Arcádia ingressando mais tarde na Arcádia de Roma, com pseudónimo literário de Elmiro Tagideu. Ostentando uma grande erudição filosófica e científica, dela se socorreu para a composição dos poemas didácticos «A Natureza», «Newton», «Viagem ao Templo da Sabedoria». A sua desmedida presunção literária levou-o a apoucar os «Lusíadas», tentando sobrepor-lhe uma epopeia, «O Oriente», de metrificação exemplar mas monótona que prejudica a grandiosidade da concepção da obra de leitura assaz enfadonha. Impiedosamente satírico, neste tom vasou os humores da sua virulência, dirigindo uma sátira a Bocage que lhe respondeu com «Pena de Talião». Em «Os Burros» (1827), José Agostinho de Macedo foca a tertúlia do botequim de José Pedro da Silva, no Rossio, escolhendo para herói o liberal João Bernardo Loureiro da Rocha, sócio de Pato Moniz no fomento da Imprensa revolucionária da época. É incontestável ser este poema uma das obras de maior vulto da polémica parodística, à qual oferece das mais inflamadas páginas concebidas pelo génio malévolo da sátira.

Está também na Poesia Portuguesa Erótica e Satírica – Séc. XVIII-XIX, apresentado por José Martins Garcia:
José Agostinho de Macedo, padre por acaso, fulminador do mundo por formação e vocação, em vez de aterrorizar as gentes com a pintura dos caldeiros infernais, resolveu aterrorizá-las com uma violenta má-língua. No campo da sátira, ele é o maior especialista do bota-abaixo, atacando às cegas, destruindo por destruir, marrando com uma raiva de touro. Em termos plásticos: um padre sanguíneo, anafando, bruto, em vias de arrotar anátemas.Feroz reaccionário, por teimosia e por tradição do solo, se por vezes se torna notável por não ter papas na língua, quase sempre destrói por embirração, nada lhe importando os fundamentos da crítica. Um campo onde Macedo se move como peixe na água: o das polémicas literárias (ou passando por tal) do seu tempo. Claro que como crítico literário, o nosso padre não percebe nada de literatura (o que se integra nos usos e costumes da «colónia» lusitana). Se amaldiçoa Napoleão, não é por causa dos mortos, é porque as campanhas napoleónicas trouxeram ao recato lusitano a «peste» do liberalismo. Sobre todas as matérias, o padre Macedo sabia tudo (o que é também muito característico da nossa intelectualidade e dos nossos homens providenciais). Nenhuma hesitação, nenhuma dúvida. Parece quer nunca leu Kant, mas criticou-o, elogiando e depois denegrindo, consoante a disposição de espírito. Um exemplar insigne da nossa cultura!
Ricardo Jorge

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