domingo, janeiro 28, 2007

Elegia

Opúsculo de dezasseis páginas, «mandado imprimir por Bernardino das Neves Nunes, Amigo do mesmo Ilustre Falecido».
Dele transcreve-se dois sonetos, inseridos, respectivamente, nas páginas 13 e 14, com a ortografia actualizada.
*
SONETO
.
Áureas portos do Olimpo omnipotente
Se abrem de par em par, por onde entrando
Vai o Cisne sonoro, que cantando
Deu glória, deu brasão à Lusa Gente.

Para encontrá-lo acode diligente
De antigos, Lusos Vates nobre bando,
Alegres, respeitosos saudando
O sublime Cantor do acesso Oriente.

“ Vem [ lhe dizem ] na Olímpica morada
” Cingir a fronte com perpétua rama,
” Que a Glória para ti tem destinada.

” E abrasado no ardor, que nos inflama,
” Conhecerás aqui que a vida é nada,
” Ou que a vida de Sábio é só na Fama! ”
*
SONETO
.
Debaixo desta campa sepultado
Jaz um peito, um que etéreo fogo ardia,
Que da Lusa Eloquência, e da Poesia
Será por longos Evos lamentado.

Deixou à Pátria alto Padrão alçado,
Enfeitando co’ as flores a Harmonia
A austera fronte à sã Filosofia,
Com exemplo entre nós não praticado.

Não indagues, Viandante curioso,
Da larga vida sua erro, ou defeito,
Da Morte acata o manto tenebroso.

Ele Homem foi, Homem não há perfeito;
E, deixando este valer lacrimoso,
Foi piedade buscar de Deus no peito.

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